Festival SatyriCine Bijou anuncia filmes vencedores da 1ª edição: veja lista

Helena Ignez foi a grande homenageada e Zilda Mayo ganhou Menção Honrosa; já Entre Nós Talvez Estejam Multidões ganhou melhor longa e Crua foi eleito o melhor curta pelo júri

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

O Festival SatyriCine Bijou anunciou em cerimônia digital na noite desta quarta (29) os filmes vencedores de sua primeira edição, entre longas e curtas-metragenes. O melhor longa foi Entre Nós Talvez Estejam Multidões, de Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito, “pela oportuna abordagem da dramática luta por moradia num filme que também se destaca por refinado tratamento estético”. Já o melhor curta foi Crua, de Clara Vilas Boas e Emanuele Sales, “pelo rigor e competência na condução de todos os aspectos da constituição da narrativa”, segundo o júri.

A atriz e cineasta Helena Ignez foi a grande homenageada da noite. Idealizador do evento ao lado de Rodolfo García Vázquez, da Cia. de Teatro Os Satyros, Ivam Cabral ressaltou em seu discurso a importância de Helena Ignez para a história do cinema brasileiro. Todos os premiados receberão o Troféu SatyriCine Bijou, criado pela especialmente pela artista plástica Maria Bonomi, durante o Festival Satyrianas, em dezembro.

Zilda Mayo: menção honrosa por sua contribuição ao cinema brasileiro - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Zilda Mayo: menção honrosa pela contribuição da atriz ao cinema brasileiro no 1º Festival SatyriCine Bijou – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

A cerimônia do Festival SatyriCine Bijou foi apresentada ao vivo pela atriz Leona Jhovs e pelo deputado estadual Carlos Giannazi, com o ator André Lu como mestre de cerimônias, além de direção de conteúdo de Silvio Eduardo e direção técnica de Gustavo Ferreira.

A noite ficou marcada por discursos em prol da resistência do cinema nacional e também pela valorização das mulheres no cinema brasileiro, sobretudo das atrizes que trabalharam nos filmes das décadas de 1970 e 1980 que foram maldosamente apelidados de “pornochanchada”. Em discurso para celebrar a Menção Honrosa à atriz Zilda Mayo, a integrante do júri e também atriz Nicole Puzzi pediu o fim do preconceito com as atrizes de sua geração e ainda solicitou que as novas gerações do cinema criem personagens para estas atrizes que fazem parte da memória nacional.

Jurados SatyriCine Bijou – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Integraram o júri os cineastas Silvio Tendler, Alain Fresnot (presidente do júri), Hsu Chien Hsin, a cineasta e produtora Júlia Barreto, os jornalistas e críticos Daniel Schenker e Miguel Arcanjo Prado (diretor deste Blog do Arcanjo) e as atrizes consagradas do cinema nacional Nicole Puzzi e Arly Arnaud.

O Festival SatyriCine Bijou é idealizado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, com produção executiva de Guilherme Marback, produção de Silvio Eduardo e assistência de Diego Ribeiro, Maiara Cicutt, Janna Julian e Isabella Garcia. A previsão é que o Cine Bijou reabra para o público em 2022 na praça Roosevelt.

Helena Ignez: homenageada no 1º Festival SatyriCine Bijou – Foto: Leo Lara/Universo Produção/Mostra de Tiradentes – Blog do Arcanjo

O Blog do Arcanjo mostra a lista completa os vencedores.

1º Festival SatyriCine Bijou

FILMES SELECIONADOS PARA A MOSTRA COMPETITIVA DE LONGA-METRAGEM

1. A senhora que Morreu no Trailer
2. Rua Guaicurus
3. Mulher Oceano
4. Nowhere
5. Eu, empresa
6. Éramos em Bando
7. Entre Nós Talvez Estejam Multidões
8. Espero que esta te encontre e que estejas bem
9. O Buscador
10. Iauaretê
11. Todo Carnaval tem seu Fim
12. Zona Árida
13. Cidade em Transe

Entre Nós Talvez Estejam Multidões: Melhor Filme do 1º Festival SatyriCine Bijou - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Entre Nós Talvez Estejam Multidões: Melhor Filme do 1º Festival SatyriCine Bijou – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Melhor Filme

ENTRE NÓS TALVEZ ESTEJAM MULTIDÕES de Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito.

Pela oportuna abordagem da dramática luta por moradia num filme que também se destaca por refinado tratamento estético.

Melhor Direção

RUA GUAICURUS de João Borges.

Pela habilidade em entrelaçar as jornadas das personagens num mergulho no mundo da prostituição marcado por surpreendente naturalidade.

Melhor Roteiro 

EU, EMPRESA – Amanda Devulsky, Camila Gregório, Leon Sampaio e Marcus Curvelo.

Pela precisa exposição de uma realidade adversa na jornada de um personagem que certamente representa muitos outros no mundo contemporâneo.

Intérpretes

Marcus Curvelo no filme EU, EMPRESA.

Pela sutil composição da personagem, desiludida mas sem perder a humanidade.

Johnnas Oliva no filme TODO CARNAVAL TEM SEU FIM.

Pela feliz composição da figura do traficante, rica, humana e carismática.

Revelação de Intérprete Elizabeth Miguel no filme RUA GUAICURUS.

Pela naturalidade com que uniu atriz e personagem com sutileza e competência.

Melhor Fotografia MULHER OCEANO – André Guerreiro Lopes.

Pelo apuro na criação de uma unidade estética refinada em condições diversas.

Melhor Direção de Arte MULHER OCEANO – Isabela Azevedo.

Pelo cuidado e requinte na escolha do visual dos ambientes em universos distintos dando unidade ao filme.

Melhor Trilha Sonora A SENHORA QUE MORREU NO TRAILER – Alberto Camarero e Alberto de Oliveira.

Pela surpreendente e instigante mistura musical que aproxima o espectador do universo retratado.

Melhor Montagem ESPERO QUE ESTA TE ENCONTRE E QUE ESTEJAS BEM – Karen Akerman e Mair Tavares.

Pela feliz articulação da narrativa contribuindo muito com a dramaturgia proposta, e pela sensibilidade na conjugação entre o resgate específico da correspondência de um casal e o passado coletivo do país.

Menções Honrosas

Zilda Mayo em A SENHORA QUE MORREU NO TRAILER.

Pelo conjunto da obra e sua contribuição ao cinema brasileiro, com uma trajetória significativa nas produções cinematográficas, das décadas de 70 e 80, realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro. Para corrigir o estigma lançado sobre filmes nacionais, produzidos sem o apoio de órgãos públicos, em época de ditadura. 

ZONA ÁRIDA de Fernanda Pessoa.

Pelo entrelaçamento entre passado e presente no desvendamento de uma cidade dominada pelo pensamento reacionário num documentário destituído de qualquer dispersão em relação ao universo proposto.

FILMES SELECIONADOS NA MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM

1 – Amanhã
2 – Crua
3 – Emílio
4 – Em Quadro
5 – Esmalte Vermelho Sangue
6 – Eterno Desconhecido
7 – F For Fake News
8 – Fosfeno
9 – Goma
10 – Insanidade
11 – M – Fantasia Dramática
12 – Memby
13 – Pequena Flor de Ameixa: Um Fragmento
14 – Obatala
15 – Rejunte
16 – Todos

Crua, Melhor Curta-Metragem do 1º Festival SatyriCine Bijou - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Crua, Melhor Curta-Metragem do 1º Festival SatyriCine Bijou – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Melhor Filme CRUA de Clara Vilas Boas e Emanuele Sales.

Pelo rigor e competência na condução de todos os aspectos da constituição da narrativa.

Melhor Direção REJUNTE de Giulia Baptistella.

Pela captação de um relato marcado pela violência e pela exclusão num filme que também impacta pela original concepção estética.

Melhor Roteiro EM QUADRO – Antoniela Canto e Luiza Campos.

Pela coragem de enfrentar um tema complexo de maneira profunda num curto espaço de tempo.

Intérpretes

Herberth Vital no filme AMANHÃ

Pela interpretação fluente e espontânea de um personagem que persiste diante de todas as adversidades impostas no plano da realidade.

Antoniela Canto no filme EM QUADRO

Pela precisão, sutileza e rigor  na construção de personagem tão imprevista e arrogante.

Revelação de Intérprete – Maria Clara Strambi no filme CRUA

Pela riqueza de emoções passadas com delicadeza e acuidade na construção da personagem.

Melhor Fotografia AMANHÃ – Daniel Lupo, Marco Rempel e Paulo Faria.

Pelo apuro e unidade na captação de um combate de duas personagens em situação limite.

Melhor Direção de Arte FOSFENO – Penélope Victoria.

Pela importância e qualidade da construção visual na implantação de uma atmosfera que seduz o espectador num filme que substitui as falas pela dramaturgia dos corpos.

Melhor Trilha Sonora  AMANHÃ – Pedro Santiago.

Pela contribuição delicada e precisa a narrativa.

Melhor Montagem ESMALTE VERMELHO SANGUE – Vitor Medeiros e Paula Schuabb.

Pela arriscada opção por ocultar os rostos das mulheres, que dão vazão a depoimentos contundentes sobre a violência sofrida nos relacionamentos conjugais.

Menções Honrosas

GOMA de Igor Vasco

Pela importância das questões tratadas na narrativa e valorização da arte do improviso e defesa da tolerância. Um olhar pulsante, enérgico e efervescente da cena da rima de Mc’s da periferia paulista, através de uma mistura feliz entre atores e não atores. Uma obra que celebra a cultura negra de raiz.

MEMBY de Rafael Parrode

Pela riqueza da técnica utilizada a serviço de uma proposta humana e sensível.

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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