Satyros remonta peça Transex 14 anos depois para celebrar Phedra D. Córdoba

Nicole Puzzi e Márcia Dailyn na remontagem da peça Transex, um clássico do Satyros – Foto: Andre Stefano/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Em 2004, a peça “Transex” causou furor na praça Roosevelt, em São Paulo, e tornou-se um dos marcos da Cia. de Teatro Os Satyros com a obra pop e psicodélica inspirada em sua diva absoluta, a atriz transexual cubana Phedra D. Córdoba (1938-2016).

Na encenação pioneira ao abordar a temática trans nos palcos, ela dublava de forma impactante a versão em espanhol de “I Will Survive”, “Yo Viviré”, com suas castanholas e presença cênica irrefutável, profetizando: “Yo viviré, allí estaré”.

Pois 14 anos depois ela segue viva na volta da peça em remontagem estrelada por Nicole Puzzi, musa do cinema que ficou conhecido como “pornochanchada”, e Márcia Dailyn, atriz e primeira bailarina transexual do Theatro Municipal de São Paulo que ocupou a vaga de Phedra no grupo e ainda herdou dela o título de Diva da Praça Roosevelt.

Integrante da Trilogia do Antipatriarcado, que contou ainda com as peças “Pink Star” e “Cabaret Transperipatético”, “Transex” estreia nesta quarta (27), às 21h, no Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214), onde fica em cartaz às quartas e quintas, 21h, até 30 de agosto, com ingresso a R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 5 (moradores da Roosevelt).

Estão no novo elenco ainda Ivam Cabral, Léo Perisatto, Tiago Leal, Daniela Funez, Henrique Mello, Diego Ribeiro, Fernanda Kawani, Silvio Eduardo, Gustavo Ferreira, Maiara Cicutt, Fabio Penna, Eduardo Chagas, Guttervil Guttervil.

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Parte do elenco original de Transex em 2004, quando a peça causou furor na praça Roosevelt – Foto: Arquivo Laerte Késsimos/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

A obra escrita e dirigida por Rodolfo García Vázquez mistura a psicodelia que fez a cabeça da juventude na virada da década 1960 para 1970 com a pop art e o rock potente deste período de fértil criatividade humana.

Tudo isso para compor o ambiente no qual se dá a história de amor entre duas pessoas transexuais. A trilha sonora cosmopolita pensada por Ivam Cabral não fica atrás e une Mutantes a Velvet Underground, passando por Wanderléa e The Animals.

A história acontece em meio ao submundo do centro paulistano típico da chegada do Satyros à Roosevelt, então perigoso antro de drogas e prostituição e cuja recuperação urbana se deve à movimentação trazida pelas peças do grupo fundado por Vázquez e Ivam Cabral.

O elenco original teve os atores Ivam Cabral, Alberto Guzik, Soraya Saide, Fabiano Machado, Tatiana Pacor, Marcela Randolph, Laerte Késsimos, Phedra D. Córdoba e Savanah Meirelles.

Phedra D. Córdoba na montagem histórica de Transex, em 2004 – Foto: Andre Stefano/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Vázquez conta que a remontagem de “Transex” é uma forma de celebrar e homenagera Phedra D. Córdoba, que teria completado 80 anos neste 2018. Para intensificar as celebrações, ele e o grupo montaram uma exposição no bar do Espaço dos Satyros Um.

No segundo semestre ainda haverá a montagem da peça “Entrevista com Phedra”, de Miguel Arcanjo Prado e com direção de Juan Manuel Telaltegui, protagonizada por Márcia Dailyn e Raphael Garcia.

Elenco da remontagem da peça Transex, da Cia. de Teatro Os Satyros, que estreia nesta quarta (27), às 21h, na sede do grupo na praça Roosevelt – Foto: Andre Stefano/andrestefano.com/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

A personagem Phedra nesta remontagem de “Transex” será interpretada por importantes personalidades da comunidade LGBTI+ e amigos próximos da atriz, como forma de homenagem.

Foram convocados e aceitaram o desafio Maria Clara Spinelli, TchaKa, Edy Star, Salete Campari, Paula Cohen, Cléo de Páris, Laerte Késsimos, Juan Manuel Tellategui, Thiago Mendonça, Soraya Saide e Márcia Dailyn.Na sessão de estreia, a atriz transexual Leona Jhovs assume a missão. Com gosto e honra, é claro.

Veja imagens históricas de Phedra D. Córdoba em Transex em 2004:

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