Choro todo dia, diz Márcia Dailyn, nova diva trans do Satyros e Roosevelt

Márcia Dailyn, em “Pink Star”, do Satyros: ela ocupa posto de diva deixado por Phedra D. Córdoba – Foto: Salim Mhanna/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A atriz e bailarina transexual Márcia Dailyn sabe que tem uma missão grandiosa pela frente: ocupar o posto de diva da praça Roosevelt, coração do teatro paulistano, deixado pela atriz e diva cubana transexual Phedra D. Córdoba, que morreu em 9 de abril de 2016, aos 77 anos, e que lhe foi concedido recentemente pelo grupo Satyros. “Choro todo dia”, diz, emocionada, sobre o desafio, fazendo questão de esclarecer: “Phedra jamais será substituída”.

Márcia foi convidada pelo grupo Satyros para estrelar a centésima produção da trupe, a peça “Pink Star”, escrita por seus fundadores, Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

A obra estreia nesta sexta (8), com sessões de quinta a sábado, 21h, no Estação Satyros (praça Roosevelt, 134, tel. 11 3258-6345), com ingressos entre R$ 20 e R$40.

A montagem inaugura a “Trilogia do Antipatriarcado”, que promete ainda remontagem da peça “Transex” — na qual Phedra fez história — e a nova “Cabaret Transperipatético”.

Márcia Dailyn em “Pink Star” – Foto: Salim Mhanna/Divulgação

“Pink Star” é definida como uma “comédia musical futurista queer”, repleta de referências à cultura pop. O elenco conta com atores cisgêneros, transgêneros, agêneros e não binários, com uma gama diversa de orientações sexuais representadas.

Neste grupo, Márcia ocupa o importante posto deixado por Phedra, que era sua madrinha: o de diva. A atriz formada pela Escola Macunaíma foi também a primeira bailarina trans a ganhar o palco do Teatro Municipal de São Paulo. Ela ainda é musa do bloco carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta e participou da cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Brasil em 2014.

Márcia Dailyn conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre o desafio de ocupar o título que Phedra D. Córdoba defendeu com unhas e dentes até o fim.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi pra você ser colocada no posto de a nova Diva da Praça Roosevelt pelo Satyros?
Márcia Dailyn — Foi uma grande honra, me emociona profundamente. Ser a Diva da Praça Rooselvelt é uma grande consagração como pessoa e artista. Diva é forte, exemplo de caráter, postura. Amo ser artista. Ser amada, respeitada, querida pelos Satyros. Me faz chorar, chorar muito. Meu coração está cheio de Amor, raios de luz pra extravasar. Receber o posto está sendo um divisor de águas em minha vida. Satyros é amor eterno em minha vida.

Phedra D. Córdoba em frente à sede do grupo Os Satyros na praça Roosevelt: diva absoluta – Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que Phedra aprovaria seu nome?
Márcia Dailyn — Falar de Phedra é respeitoso, acredito que pelo amor, carinho, que eu tenho pelo teatro, de ser artista, com tantas lutas e conquistas, me faz pensar que lutamos pelos mesmos ideiais. Minha amiga a qual devo muito a ela. Saudades dos seus conselhos. Estou no caminho para lutar e honrar o nome Phedra. Aprovação se faz de amor, carinho e respeito à vida de Phedra.

Miguel Arcanjo Prado – Phedra D. Córdoba é substituível?
Márcia Dailyn — Phedra jamais será substituída, sua vida carreira, pessoa que sempre será lembrada e eternizada em nossos coração e vidas. Phedra levou sua vida como quis: respeita, amada, forte e única. Pra mim, Phedra foi e será uma das maiores artistas que já tivemos. Minha eterna amiga. Minha eterna artista. Minha eterna diva. Meu eterno exemplo.

Marcelo Thomaz e Márcia Dailyn em “Pink Star”, centésima peça do grupo Os Satyros – Foto: Salim Mhanna/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Quem é você em “Pink Star”?
Márcia Dailyn — Sou Soledad Dolores Brillhante, mãe, mulher forte e histérica, mulher biônica, estéril. Com muito amor a dar a todos. Mulher bela recatada do lar. Porém queria seguir a carreira militar e é muito severa com seus filhos. Tem um marido, um amante, mas vive pela família e o lar.

Miguel Arcanjo Prado – Está emocionada com esta volta aos palcos?
Márcia Dailyn – Estou emocionada, sim, choro todos os dias. O palco é vida, um lugar mágico, rico e sagrado, cheio de amor e dedicação. Estou feliz em voltar. Esar no Satyros é uma honra e gratidão. Chegar ao 39 anos de vida, 20 de carreira. Ser reconhecida, amada por todos, agradeço sobretudo aos meus amigos Ivam e Rodolfo, que me conheceram tão menina, aos meus 19 anos. Por Phedra. Construímos uma história, uma amizade pra vida toda. Quero viver. Viver é ser Feliz. Morrer no Palco. Obrigada ao Satyros.

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Márcia Dailyn em “Pink Star”- Foto: Salim Mhanna/Divulgação

 

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